PORQUE QUER A MSC ENTRAR PARA O CAPITAL DA STX FRANCE?
O proprietário da MSC Crocieri, Gianluigi Aponte, em entrevista recente ao jornal francês Le Monde, reafirmou a vontade da MSC em entrar para o capital do construtor naval STX France.
"Não desejamos ser maioritários, mas participar no equilíbrio accionista da STX France. Se formos accionistas, tal como o outro grande cliente, a Royal Caribbean, faremos tudo para que a Fincantieri não possa pilhar os estaleiros de Saint Nazaire, transferir a tecnologia para o estrangeiro, nem privilegiar os seus próprios estaleiros em detrimento dos franceses" declarou de forma polémica Gianluigi Aponte.
Estas declarações foram efectuadas dois dias depois da entrega pela STX France do Meraviglia à MSC, à qual assistiu o Presidente francês Emmanuel Macron, que na ocasião sublinhou no seu discurso que gostaria que o acordo accionista existente fosse revisto, afim de garantir a preservação dos empregos e a soberania.
Relembre-se que a Fincantieri assinou no mês de Maio um acordo para a aquisição de 66,66% da STX France, por 79,5 milhões de euros ao seu actual accionista, a STX Europe AS. A Fincanteiri foi escolhida pela justiça para essa aquisição, depois da falência do anterior dono, a coreana STX. Segundo um acordo negociado pelo anterior governo francês, a Fincantieri ficaria no final com 48% do capital dos estaleiros de Saint Nazaire, o investidor italiano Fondazione Cassa di Risparmio com 7%, enquanto o Estado francês conservaria 33% (com direito de veto) e o construtor militar público francês DCNS, 12%.
"Os Chantiers de L'Atlantique (o outro nome por que são conhecidos) são um excelente parceiro", afirmou Gianluigi Aponte, sublinhando: "Mandámos construir ali todos os nossos actuais navios. A equipa de Saint Nazaire ajuda-nos a realizar navios inovadores, graças a um gabinete de estudos excepcional".
Para Gianluigi Aponte, "sozinha a bordo, a Fincantieri poderia agir a seu belo prazer, transferindo as tecnologias e revendo a estratégia comercial. Um forte aumento dos preços incitar-nos-ia a mandar construir os navios noutro lugar, por exemplo na Ásia. Isso seria decerto o fim dos estaleiros europeus", acrescentou o fundador do segundo maior armador de porta-contentores do mundo e quarto de navios de cruzeiro.
Baseado em artigos do Le Monde Economie e L'Express
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